Dezembro sempre traz algo a mais. Para muitos, é o alívio de ter atravessado mais um ano, conquistado objetivos ou simplesmente de ver um período difícil chegando ao fim. É tempo de balanço interno. Angústias pelos desejos não realizados, saudade do que passou, um respiro, uma pausa e sentimentos inomináveis.
Cada pessoa vive dezembro de um jeito. No entanto, poderíamos dizer que há algo em comum? Um final, uma vírgula, alguma coisa. Para além de tudo, seja qual for o sentimento predominante, este mês chega com um toque de esperança.
O encerramento de um ano mexe com as nossas expectativas. É como se o calendário, ao virar suas últimas páginas, abrisse silenciosamente uma janela para o novo. O fim é um convite ao recomeço, e todo recomeço desperta a pergunta que acompanha a humanidade: pode dar mais certo desta vez? É a crença de que o próximo período será melhor, de que novas oportunidades surgirão, de que estaremos perto da vida que desejamos para nós mesmos, nos dias vindouros.
A palavra esperança nasce de um movimento no “eu”. É a crença em algo positivo, de que existe um desdobramento bom à frente. Um estado mental que antecede a realização e que, muitas vezes, a possibilita. Podemos depositar esperança em mudanças coletivas, como um mundo mais justo, um país mais equilibrado, um ano menos turbulento, ou em mudanças individuais, como cuidar mais de si, curar dores, lidar melhor com sentimentos, adotar novos hábitos ou reconstruir sonhos que ficaram pelo caminho. Ela pertence ao campo mais íntimo da humanidade, da vontade de viver melhor.
Como lembra o professor Mário Sérgio Cortella, é essencial diferenciar esperança do verbo “esperar” e esperança do verbo “esperançar”. Esperar é aguardar passivamente, confiando que algo ou alguém virá resolver. Esperançar, por outro lado, é atitude. É ir atrás, mover-se, persistir, mesmo quando o caminho parece lento. É unir desejo à ação. Essa distinção é fundamental porque dezembro, por si só, não muda nada. O que muda somos nós, quando escolhemos não apenas desejar, mas agir.
E é justamente aqui que o mês corrente faz seu convite: o de transformar esperança em responsabilidade. As luzes nas ruas, as despedidas e os reencontros nos deixam mais sensíveis, mais atentos ao que importa. Então, vem a questão: o que faremos dessa esperança quando janeiro começar?
A beleza de dezembro habita a lembrança de que a vida é feita de ciclos — alguns leves, outros árduos — e que todos têm algo a ensinar. A esperança que carregamos é um sinal de que, apesar de tudo, ainda acreditamos em nós. E isso já é um belo começo para qualquer novo ano.
