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Fornecer um abastecimento de água mais estável agora passa também pelo uso de Inteligência Artificial (IA). No final de março, a tecnologia foi incorporada ao monitoramento preventivo dos principais sistemas de bombeamento para identificar alterações no funcionamento das bombas antes que elas parem de operar, permitindo a antecipação de falhas e reduzindo o risco de interrupções no serviço.
Essa estratégia de prevenção inteligente é fruto de uma parceria com a startup de tecnologia 2Neuron. De forma simples e prática, a solução acompanha continuamente dados elétricos dos motores — como tensão e corrente — e utiliza algoritmos para identificar sinais sutis de desgaste ou aquecimento. O grande diferencial está em aprender a rotina de funcionamento de cada máquina a partir do seu histórico de informações, sem exigir a instalação de novos sensores físicos nos equipamentos.
Sem a necessidade de obras ou da instalação de novos sensores, a análise inteligente de dados reforça a atuação do Centro de Operações Integradas (COI) da Águas do Rio, ampliando a capacidade de monitorar equipamentos e antecipar possíveis falhas. O diretor do COI da concessionária, Diógenes Lyra, explica que a IA integra uma estratégia mais ampla de gestão operacional:
“A Inteligência Artificial não atua de forma isolada. Ela faz parte de um ecossistema de inteligência operacional que reúne automação, monitoramento remoto e análise de dados. Essa integração nos permite identificar desvios de comportamento antes que eles se transformem em falhas, apoiar decisões com mais rapidez e tornar a operação mais eficiente e segura para a população.”
IA evita interrupção do abastecimento na Tijuca
A tecnologia já mostrou resultados na prática. Na elevatória da Caixa Nova, na Tijuca, a Inteligência Artificial identificou um aumento incomum na temperatura e na corrente elétrica de um dos motores e emitiu um alerta para o COI. Com a indicação de que havia um comportamento fora do padrão, equipes técnicas foram mobilizadas e encontraram uma conexão elétrica desgastada, substituída antes que o equipamento apresentasse falha.
A intervenção foi concluída em cerca de duas horas, uma redução de até 75% no tempo que seria necessário em uma manutenção emergencial, e evitou impactos no abastecimento de água da região.
Da manutenção corretiva à contínua
A tecnologia também mudou a forma como as equipes trabalham. Em vez de serem acionados apenas quando um equipamento para de funcionar, o monitoramento das bombas é em tempo real e de forma contínua, o que permite aos profissionais atuarem antes que a falha aconteça, com mais tempo para planejar a intervenção e reduzir os impactos na operação.
Segundo o gerente de Eletromecânica da Águas do Rio, Frederico Meireles, a mudança vai além da agilidade nos reparos. “Detectar um problema antes da quebra transforma a manutenção. Em vez de reagirmos a uma emergência, conseguimos avaliar o equipamento, definir a melhor estratégia e programar a intervenção no momento mais adequado. Isso aumenta a segurança das equipes, reduz o tempo de reparo e diminui o risco de impactos no abastecimento.”
A adoção da Inteligência Artificial integra um conjunto de investimentos voltados à modernização da operação da concessionária. Desde o início da concessão, em novembro de 2021, a Águas do Rio já investiu R$ 6,3 bilhões em infraestrutura de água e esgoto. O foco é avançar em áreas socialmente vulneráveis rumo às metas do Marco Legal do Saneamento, que preveem abastecimento de água para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90% até 2033.
Fotos: Divulgação Águas do Rio