Quando me sento diante do computador para qualquer atividade costumo pensar; que máquina formidável, assinala as palavras erradas, corrige algumas automaticamente, permite fazer escalas, tabelas, gráficos e desenhos. Coloca-me em contato com pessoas distantes, em outras partes do nosso planeta, entretanto, comparado com a complexidade de nosso organismo, o computador é muito inferior, quase insignificante.
Comecemos por nosso aparelho digestivo. Temos em nossa boca uma pequena moenda, formada por nossos dentes, capaz de triturar os alimentos, mistura-los com a saliva, produto das glândulas salivares, preparando tudo para uma digestão mais fácil no estômago.
Neste órgão, os alimentos sofrendo ação mecânica dos movimentos gástricos e a atividade química do ácido clorídrico e da pepsina, são transformados em uma substância denominada quimo.
Passando à primeira porção do intestino delgado, os alimentos recebem secreções biliares e pancreáticas fundamentais para o bom aproveitamento das substâncias nutritivas, que serão absorvidas por partes mais distantes do intestino delgado. Pelo sangue venoso o que é absorvido no intestino é levado ao fígado, maravilhoso laboratório interno, que realiza diversas transformações químicas. Ao mesmo tempo, o que não serve do nosso bolo alimentar é eliminado, retornando à natureza.
Quando penso em nosso aparelho respiratório imagino as trocas gasosas que ocorrem em nossos pulmões, que permutam o oxigénio do ar atmosférico, necessário à vida, pelo bióxido de carbono resultante das combustões orgânicas que ocorrem em nosso interior.
Se analiso o aparelho urinário, maravilho-me com as funções renais, verdadeiros filtros existentes em nosso interior, não como esses filtros domésticos, que apenas purificam a água. Os rins são filtros seletivos, que eliminam o que é nocivo ao organismo, enquanto retem o que é necessário.
Se olho para a parte mais elevada de nosso corpo, encontro a cabeça, possuidora de dois olhos que permitem visualizar belas imagens e tristes senas de pobreza e de desigualdade social, de agressão à natureza e aos nossos semelhantes.
Lateralmente, os ouvidos que recebem todo tipo de sonoridade, desde palavras amorosas e belas melodias até o ruido das explosões bélicas, causando a morte de milhares de seres humanos, em guerras causadas pela ambição material daqueles que se consideram donos do mundo.
Ela também é sede do nosso olfato. do nosso paladar e da nossa boca, capaz de emitir palavras amorosas e delicadas ou agressivas e caluniosas, conforme as circunstâncias e os circunstantes.
Nela, protegido por uma caixa óssea arredondada, encontra-se o delicado tecido cerebral, o grande comandante de todas nossas ações, de nossos pensamentos, que ama e que odeia; que determina nossos movimentos musculares, bem como as horas de vigília e de sono reparador.
As máquinas, por mais perfeitas e complexas que sejam, jamais se comparam ao nosso magnífico e extraordinário organismo, quando em estado de higidez.
Nas noites de céu límpido, olho e vejo um número infinito de pontos luminosos espalhados, situados a milhares de quilômetros do nosso planeta, todos em perfeita ordem, como um gigantesco e disciplinado exército.
Penso no movimento do nosso sistema planetário; com o sol, estrela de 5ª grandeza, no centro a tudo comandar; a sucessão dos dias e das noites, a alternância das estações anuais, com variação de calor e frio, intercalados por temperaturas moderadas.
Tudo acontecendo com grande precisão há milhões de anos, como se tivesse sido planejado por um sábio engenheiro. Ficamos encantados com as máquinas criadas pela inteligência humana e nos esquecemos de apreciar e analisar a precisão da natureza mãe.
Na Física existe uma lei que afirma: “Para todo trabalho é necessário a utilização de alguma forma energia”. Pergunto, qual a energia que realizou tão extraordinário trabalho no corpo humano e no universo? Terá sido o acaso? Mas o acaso não é energia.
Certa vez, no salão em que trabalhava na Unimed Serrana-RJ, em Nova Friburgo, em companhia de mais quatorze funcionários, um jovem católico veio à minha mesa e me perguntou:
_ “Dr. se a teoria do Boom for verdadeira, como fica a criação bíblica do mundo?”.
Respondi-lhe com outra pergunta: “E que energia determinou o Boom?”. Não sei de ele entendeu. Sempre haverá a causa inicial, a causa primeira, a energia mãe.
Como afirma a Física, todo trabalho, obrigatoriamente, é realizado por alguma forma de energia. Para mim, sem fanatismo, mas analisando fisicamente, a energia desconhecida, capaz de criar mecanismos tão perfeitos só pode ter um nome – DEUS!
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Ele existia, no princípio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo que existe. Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la” (Jo 1,1-5).
Júlio Carvalho.
Júlio Marcos de Souza Carvalho é médico, ex-vereador e ex-provedor do Hospital de Cantagalo. Atualmente é auditor da Unimed de Nova Friburgo e vice-prefeito de Cantagalo
