“Sempre há tempo”, por Amanda de Moraes

O tempo é valioso; um recurso insubstituível. A cada dia, temos um pouco menos dele. Gastamos horas e minutos, todos os dias, com cafés, trabalho, conversa despretensiosas, rede social, devaneios, séries. Quando estamos no automático, nem sequer nos recordamos, à noite, dos detalhes habituais vividos pela manhã.

Além disso, existimos em uma era de excesso. Excesso de informação, de possibilidades, de caminhos vários. A sociedade moderna nos bombardeia com estímulos constantes. Cria a impressão de que estamos sempre atrasados em relação a algo. Nossa atenção se fragmenta em inúmeros projetos, desejos e expectativas. Queremos fazer tudo, ser tudo, experimentar tudo e, paradoxalmente, acabamos não estando inteiramente presentes em quase nada.

Com o passar dos anos, a sensação é de que o calendário fica cada vez mais escasso. Será só a sensação ou, de fato, uma constatação? Antes, o que parecia abundante começa a dar sinais de sua finitude. Os segundos passam mais rápido, as semanas se confundem, os meses ficam para trás.

A finitude do tempo nos traz um senso de urgência. Não para ansiedade, mas como um norte sobre o que realmente vale a pena. Aliás, não dá para ter tudo. É preciso selecionar e decidir-se.

Muitas pessoas gastam a maior parte das “vinte e quatro horas” em sua própria mente. O passado nos prende com os inúmeros: “E se…?” E se eu tivesse escolhido outra profissão?  E se eu tivesse seguido outro caminho? Se eu me tivesse mudado para outra cidade? E se tivesse arriscado um pouco mais? Se eu tivesse tido coragem para iniciar aquele projeto? E se eu tivesse insistido um pouco mais, desistido antes, amado de outro jeito?

Quantos “e se” uma vida inteira é capaz de suportar? Sem afundar em angústia, culpa e ressentimentos, praticamente nenhuma.  Quando a mente sai do passado, muitas vezes salta logo para o futuro, com suas mil e uma previsões catastróficas.  Salta para os piores cenários, mesmo que não haja nenhuma probabilidade.

Entre todos os desperdícios possíveis, o maior seja gastar tempo preso ao passado, revivendo erros, recalculando escolhas, imaginando desfechos diferentes ou ir para um futuro apocalíptico.

Sabemos qual é o conselho principal para isso: foque no presente. Mantenha a mente no aqui e agora. Fácil. No entanto, não existe um botãozinho para desligar as opções passado e futuro. Caso contrário, não seriámos uma sociedade altamente ansiosa.

Por outro lado, a boa notícia é que há recursos. Sem reconhecer fórmulas prontas, há indicadores que nos ajudam a atravessar processos que não podemos mudar.

No meu caso, sempre telefono para uma prima que é metade ciência e metade misticismo. Consegue unir os dois, em uma fusão que sempre me ajudou. Logo após um conselho prático sobre o que fazer, ela deixa lições de como a mente funciona e dos padrões que venho repetindo: “Joga para o universo e segue!”

Leia-se: jogar para o universo significa parar de tentar controlar o incontrolável. Faça o seu e confie na vida. Acredite nos próximos capítulos.

Há uma certa arrogância na tentativa de controlar tudo. Tentar dominar o incontrolável gera apenas desgaste emocional. É quando soltamos essa necessidade de controle absoluto que abrimos espaço para o inesperado, para o novo, para aquilo que não estava nos planos.

Quantas possibilidades ainda existem pela frente! Basta um dia para que tudo mude. Em um dia, nascemos. Em um dia, morremos. Em um dia, ademais, passam-se oitenta e seis mil e quatrocentos se…gun…dos.

O que não foi ainda possa ser. Se tiver de ser, será. Se não tiver de ser, não será. Seja qual for o resultado, você cuidou de si nesse processo.

Nada é imutável.  Então, vá vivendo. Com menos cobrança, menos comparação, menos apego ao que não foi e medo do que poderá acontecer.  Há beleza no porvir, mesmo que você e eu não consigamos enxergar (ainda).

Amanda de Moraes Estefan é advogada, no Rio de Janeiro, e sócia do escritório Mirza & Malan Advogados. Ela é neta do ex-prefeito de Trajano de Moraes, João de Moraes
Amanda de Moraes Estefan é advogada, no Rio de Janeiro, e sócia do escritório Mirza & Malan Advogados. Ela é neta do ex-prefeito de Trajano de Moraes, João de Moraes

 

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