“Checar fatos não basta: a urgência da cidadania informacional”, por Thainá Guedes de Britto

A cada toque na tela do celular, somos bombardeados por uma enxurrada de notícias, vídeos, áudios e imagens surpreendentes geradas por Inteligência Artificial. Se por um lado a tecnologia facilitou o acesso ao conhecimento, por outro, tornou tênue a linha que separa o fato da ficção. Está cada vez mais difícil distinguir o que é real do que é artificialmente criado. Em um cenário em que a desinformação pode alcançar grandes públicos em pouco tempo, o combate às fake news tornou-se uma das maiores urgências da nossa sociedade.

Diante desse problema, é comum que a resposta esteja na cobrança por mais regulação das plataformas digitais ou pela criação de agências de checagem. Embora necessárias, essas medidas atuam apenas sobre parte do problema. Bloquear conteúdos ou rotular publicações após a sua viralização é uma tentativa de apagar um incêndio quando o estrago já foi feito. A verdadeira solução não está apenas em filtrar o que chega até as pessoas, mas sim em mudar a forma como as pessoas consomem a informação. A mudança é de perspectiva, e isso faz toda a diferença.

É nesse contexto que a Biblioteconomia revela uma contribuição essencial para o século XXI. Em diálogo com a Ciência da Informação, a área atua na organização, mediação, acesso e recuperação da informação, contribuindo também para a formação de cidadãos capazes de lidar criticamente com diferentes fontes e conteúdos informacionais.

Longe do estereótipo ultrapassado do silêncio e das prateleiras empoeiradas, a Biblioteconomia atua hoje na linha de frente da cidadania digital. O letramento informacional, na prática, envolve saber buscar uma informação, identificar se ela é confiável, compreender diferentes pontos de vista e utilizá-la de maneira crítica e responsável. Esse conhecimento precisa deixar de ser um termo restrito às universidades e se tornar uma política pública de acesso universal.

Ensinar a população a checar a fonte original, questionar manchetes sensacionalistas e reconhecer vieses em algoritmos é tão fundamental hoje quanto foi a alfabetização tradicional no século passado.

Combater a desinformação exige investir em educação para a informação nas escolas, nas universidades e nos centros comunitários. As bibliotecas públicas e escolares têm potencial para atuar como importantes espaços de mediação da informação e de formação para o uso crítico das tecnologias digitais. Quando capacitamos o cidadão para lidar criticamente com a informação, fortalecemos a democracia e devolvemos à sociedade o poder sobre aquilo que escolhe acreditar e compartilhar. Por isso, eu afirmo: uma sociedade que tem uma Biblioteca tem um tesouro.

Thainá Guedes de Brito é estudante de Biblioteconomia na Universidade Federal Fluminense.

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