Você já percebeu sua energia sendo drenada por comportamentos tóxicos no trabalho? Ou reconhece que, em algum momento, suas atitudes tenham desgastado alguém ao seu redor?
O desafio de conviver com superiores ou colegas tóxicos, que impactam negativamente o ambiente de trabalho e minam a motivação e a produtividade, é enorme. Saber lidar com esses comportamentos, de maneira estratégica, é essencial para manter boas práticas profissionais e, principalmente, preservar a qualidade de vida.
Características das pessoas tóxicas
Possuem padrões claros de se relacionar com os outros e com as situações. Na maioria das vezes, são arrogantes, prepotentes e ausentes e acham que o mundo gira em torno deles. Geralmente, se veem como a pessoa mais importante do mundo e acreditam que todos devem servi-las. Não percebem a própria toxicidade e acham que os demais é que são “mimizentos”. Enxergam os outros apenas como recursos. Por isso, abusam do poder e até usam ameaças para garantir que tudo aconteça como querem.
Impacto das relações tóxicas em pessoas e equipes
O ambiente de trabalho se torna mais estressante, opressor e as equipes perdem a confiança e passam a lidar com conflitos constantes. A presença de pessoas com esse perfil costuma criar insegurança, angústia, apatia e todos ao seu redor começam a se sentir desmotivados, ansiosos e distantes, comprometendo o engajamento. A longo prazo, a toxicidade pode chegar a níveis devastadores, ferindo a autoestima e fazendo com que as pessoas duvidem da própria capacidade, isso leva ao aumento do absenteísmo, baixa produtividade e desmotivação.
Segundo pesquisa da Harvard Business Scholl, colaboradores em ambiente de trabalho tóxico são 54% mais propensos a deixarem seus empregos. Pesquisa da Associação Americana de Psicologia revela que 75% dos colaboradores, em ambientes tóxicos, reportaram níveis altos de estresse e impacto negativo na saúde mental, o que evidencia o peso desse problema.
Causas das relações tóxicas no trabalho
- Quando o ego é inflado e a necessidade de controle é excessiva: leva a pessoa a valorizar a centralização de poder. Esse perfil controlador pode sufocar a autonomia e a criatividade, tornando o ambiente de trabalho mais estressante.
- Quando falta o autoconhecimento e a empatia: dificuldade em reconhecer o impacto negativo das próprias atitudes. Esse perfil acredita que o problema é dos outros e desconsidera os sentimentos e perspectivas alheias.
- Quando a competitividade é nociva: aumenta a rivalidade entre colegas e a manipulação de comportamentos. Esse tipo de competitividade prejudica a colaboração e encoraja atitudes de desrespeito e sabotagem.
- Quando falta reconhecimento e valorização: há forte tendência ao surgimento de atitudes abusivas e desmotivadoras. Pessoas que não se importam com o desenvolvimento e o bem-estar dos outros contribuem para a toxicidade no ambiente.
- Quando falta de políticas organizacionais para conter o comportamento tóxico: o assédio e os abusos de poder passam a ser tolerados e, muitas vezes, incentivados.
Identificando e lidando com comportamentos tóxicos
Às vezes, pode ser difícil distinguir entre um simples feedback ou direcionamento e uma atitude realmente tóxica. Para ajudar a identificar esses comportamentos, algumas reflexões são importantes:
- A pessoa foi desrespeitosa com você na frente de outras pessoas?
- Esse comportamento ocorre repetidamente?
- A atitude parece intencional e planejada?
Se você sente que está diante de uma atitude tóxica, a melhor abordagem é lidar com a situação sem buscar o confronto direto. Avalie até que ponto a situação impacta seus sentimentos e, se possível, ressignifique para reduzir o efeito negativo. Buscar ajuda de colegas e até de profissionais pode ser necessário. Lembre-se: o problema pode estar na outra pessoa, e não em você. Diante de uma situação tóxica, considere as seguintes ações:
- Informe sobre o fato (não guarde para si): relate a situação a uma pessoa, superior que você confia ou ao RH, sempre que for necessário, e avalie sua percepção.
- Proponha um feedback direto: se sentir-se seguro, ofereça um feedback construtivo à pessoa em questão. Mas não faça isso de forma impulsiva, avalie a situação.
- Fortaleça-se emocionalmente: pratique técnicas de autocuidado para lidar com a pressão.
- Desenvolva novas competências: encare essa situação como uma oportunidade para aprimorar a resiliência, o controle emocional, a adaptabilidade…
- Busque novas opções e planeje uma mudança: avalie alternativas no seu trabalho e comece a traçar um plano para o futuro.
E se perceber que você é que está sendo tóxico?
Reconhecer que estamos sendo tóxicos pode ser desafiador, mas é o primeiro passo para mudar. Avalie se você gostaria de ser tratado da mesma forma que está tratando a outra pessoa, inclusive em público. Procure compreender o ponto de vista do outro e evite que suas emoções dominem suas reações. Para transformar sua atitude, você pode:
- Diagnosticar o problema: tente identificar a raiz de seus comportamentos tóxicos, sejam eles impulsivos ou habituais (gatilhos, padrões, experiências, crenças…).
- Solicitar feedback de amigos e superiores: pergunte a pessoas de confiança como elas percebem suas atitudes (comparar com a sua percepção).
- Buscar novas abordagens de relacionamento: leia e aprenda sobre maneiras mais saudáveis de se relacionar com outras pessoas no trabalho.
- Reformule seu comportamento: trabalhe para mudar sua postura, atitude e aprenda a tratar a outra pessoa de maneira mais positiva e respeitosa.
- Solicitar ajuda profissional: um terapeuta ou psicólogo pode ser essencial para trabalhar aspectos mais profundos.
Manter um ambiente de trabalho saudável é responsabilidade de todos. Ao adotar essas práticas, você contribui para uma cultura de respeito, protege sua saúde mental e inspira mudanças positivas no ambiente. Comece a implementar essas dicas e seja o exemplo que deseja ver no seu local de trabalho. Que tal dar o primeiro passo hoje e contribuir para um ambiente mais saudável e produtivo?

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