No início de um processo de orientação de carreiras e universidades, uma ficha de acompanhamento individual mapeia não apenas a média escolar e as matérias favoritas do estudante, mas também busca identificar o seu perfil. Antes de discutir instituições de ensino, Lucas D’Nillo Sousa faz perguntas que pouco têm a ver com vestibulares: o aluno se considera mais comunicativo? Costuma assumir riscos? Valoriza cuidar das pessoas? O objetivo é descobrir quem aquele jovem é antes de ajudá-lo a decidir para onde irá.
Essa metodologia, baseada no autoconhecimento, colocou o brasileiro no mapa da orientação educacional internacional. Lucas foi um dos quatro finalistas do Global Counselor Awards, da Times Higher Education — um dos mais respeitados rankings de educação superior do mundo. Em um universo que reúne cerca de 300 orientadores no grupo latino-americano, o profissional integrou a lista de finalistas em duas categorias: Counsellor Community Support and Collaboration e Counsellor of the Year – Latin America. Além disso, foi contemplado com a premiação Golden Guide Award, concedida pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, com base na indicação direta de um de seus estudantes.
Ao longo da carreira, Lucas já orientou aproximadamente 700 estudantes. Apenas no último ciclo anual, seus alunos, estudantes da Beacon, conquistaram 222 aprovações em mais de 15 universidades distribuídas por diferentes países.
Natural de Goiânia, Lucas D’Nillo Sousa cresceu em uma família que via na educação o principal instrumento de transformação social. Embora seus pais tenham estudado apenas até o Ensino Médio, ambos construíram carreiras de forma autodidata e investiram na formação dos filhos. “O meu pai era um artista, um pintor, e se tornou publicitário sem formação formal. Ele pintava os muros da minha escola para ajudar no pagamento da bolsa de estudo. E a minha mãe passou de dona de casa à administradora financeira nos negócios da família”, compartilha.
Durante os anos escolares, destacava-se pela curiosidade. “Eu gostava de tudo um pouco e tinha uma paixão pelo conhecimento, de uma maneira autêntica, desde que era criança”, relembra. Ainda no meio do terceiro ano do Ensino Médio, foi aprovado na Universidade de Brasília (UnB), tornando-se um dos primeiros da família a ingressar no Ensino Superior. Formou-se em Relações Internacionais e realizou uma extensão na Seton Hall University, nos Estados Unidos, onde também atuou como monitor.
No caminho, acumulou passagens marcantes pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e pela Embaixada Britânica, experiências que ampliaram sua visão sobre educação internacional e relações globais. “Para uma família que galgava a mobilidade social, poder ter uma experiência como essa era algo extraordinário e muito significativo para todos nós”, afirma.
Apesar do currículo, o início da carreira não foi linear. Após concluir a graduação, Lucas passou cerca de sete meses em busca de oportunidades profissionais, tentando entender qual caminho seguir. Foi ao voltar a dar aulas de inglês que percebeu que seu lugar estava na educação. “Algo que trago para os meus alunos é como a vida é cheia de incertezas, direcionamentos e redirecionamentos”, reflete.
A partir dali, encontrou uma profissão ainda pouco conhecida no Brasil: University and Career Counseling, área dedicada a orientar estudantes na escolha da carreira e da universidade mais compatível com seus interesses, perfil e objetivos. “Não é fácil construir uma carreira na área de educação de modo geral, mas no âmbito de escolas bilíngues e internacionais há uma demanda enorme e uma valorização desse profissional”, explica Lucas.
A partir daí, mergulhou no universo de mais de 4.000 universidades norte-americanas e buscou complementar sua aptidão com outras formações. Licenciou-se em Educação e fez cursos pela Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, e pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo.
Hoje, como coordenador de University and Career Counseling da Beacon School, Lucas lidera a equipe responsável por orientar os estudantes na escolha da carreira e da universidade. Na prática, o papel da orientação é ajudar o jovem a encontrar o seu “best fit”, ou seja, a universidade que melhor combina com seu perfil.
Muitas vezes, a orientação exige ajudar o aluno a alinhar expectativas e aplicar o que Lucas chama de recalcular a rota. “É muito importante entender de onde vêm as expectativas: se são do próprio estudante ou se foram criadas pela família. Já tive caso de aluna focada em grandes nomes dos EUA, como NYU ou Babson, mas que, durante o processo de pesquisa e imersão, percebeu que o estilo de vida, a metodologia e o ambiente da IE University, na Espanha, combinavam muito mais com o perfil dela.”
Para Lucas, a maior recompensa do trabalho é a oportunidade de trabalhar com a interdisciplinaridade e o privilégio de orientar estudantes de maneira individual, gerando um impacto real na trajetória deles. “Poder abraçar e chorar junto no final, sabendo o direcionamento que demos, o mergulho que temos no universo de cada estudante e a paixão que é possível desenvolver por meio da educação ao auxiliar cada estudante em sua escolha, é gratificante”, diz.
Entre as histórias que mais o marcaram está a de um jovem estudante bolsista na Beacon School, filho de motorista, que conquistou uma bolsa integral na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. Para Lucas, casos como esse resumem o propósito da profissão. “A educação muda não apenas a vida de um jovem, mas de toda a sua família.”
Enquanto celebra o reconhecimento internacional, Lucas diz que seu maior objetivo continua sendo o mesmo: ajudar cada estudante a encontrar um caminho que faça sentido para sua própria história.
Sobre a Beacon School: Inaugurada em 2010, a Beacon School é referência em formação internacional por meio do currículo da International Baccalaureate (IB) – certificado de ensino internacional com validade no mundo todo. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, a instituição de ensino é marcada pelo rigor acadêmico e formação baseada em princípios. A formação dos alunos é baseada no estímulo à curiosidade e ao pensamento crítico. Mais informações no www.beaconschool.com.br.