A artista, carnavalesca, arquiteta e designer Maria Laura Sourbeck irá realizar a abertura da sua exposição “Fragmentos de Festa”, durante o carnaval de Cantagalo deste ano.
A exposição será no próximo domingo, dia 19/04, às 16h, no Centro Cultural Professora Amélia Thomáz, na Sala de Espetáculos Rafael Carvalhaes.
Segundo Maria Laura, que também é mestranda em Belas Artes pela UFBA, a amostra será semelhante a uma matinê com arte, carnaval e memória. A exposição também retrata a sensibilidade da artista e reúne traços de afeto. A iniciativa conta com o apoio da Prefeitura de Cantagalo e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
O artista e educador Manoel Lordelo descreve em um texto inspirador a exposição de Maria Laura:
“É Carnaval… Na avenida, uma pequena menina se encanta com os pedaços de cetins coloridos e plumas que ficam para trás das fantasias dos foliões. São restos luminosos, de experiências que nos atravessam, memórias, excessos, delírios e explosões que ficam registrados entre serpentinas e confetes pisados na superfície da nossa existência… Como quem caça tesouros, a menina garimpa cada um destes inestimáveis pedaços perdidos…
Assim nasce “Fragmentos de Festa”, a abertura de um imenso relicário de quem guardou por muitos anos esses resquícios valiosos da festividade. Quem conhece Maria Laura Sourbeck, logo no primeiro encontro, observa que ela carrega um carnaval inteiro no corpo – uma intensidade que não pede licença, uma criatividade que se transborda como se fosse inevitável. Em minutos, descobrimos que ela é geneticamente carnavalesca. Há nela uma pulsação, como se cada gesto fosse um desfile em movimento de uma continuidade familiar que ela mantém com muita ternura…
A sensibilidade de guardar afetivamente os restos de desfiles em sua infância permitiu que ao longo de sua vida Laura Sourbeck se atentasse para todos resquícios como preciosidades e entendesse que toda festa é um fragmento de vida, pedaços que escapam e insistem em brilhar. Logo, ela assina um decreto: Carnaval é cura.
Entre luzes, sons e exageros, há algo que se organiza dentro de nós nesses dias momescos. A festa, em sua aparente desordem, é um gesto profundo de cuidado. Porque, sem experimentar a fantasia da loucura, seríamos engolidos por sua forma mais crua, sem o fulgor da purpurina e sem a alegria da música. Para não correr esse risco, Laura aprendeu a transformar cada pílula em lantejoula, bulas em serpentinas… O que poderia ser peso, rotina, repetição, ganha da festa a lição do brilho, da reinvenção.
Essa exposição se constrói como um mosaico de intensidades, fragmentos que não buscam recompor uma unidade, mas afirmar sua própria potência enquanto partes. Porque talvez seja nisso que reside a força da festa; em cada pedaço deixado na avenida que continua brilhando em nossa imaginação, naqueles que nos ensinam a construir esplendorosas fantasias e entender que partidas podem ser asas coloridas, nas amizades construídas por quem a vida decide desfilar em nossa ala, e, de alegoria em alegoria, construir o nosso enredo, deixando, também, na avenida, um pedacinho do que brilhou na gente.”
