Na última sexta-feira, dia 29 de maio, tive a felicidade de ler um excelente artigo do Dr. Fábio Souza, com o título “A inteligência artificial e o desafio da proteção social”. O autor é juiz federal na TNU e professor de Direito Previdenciário na UFRJ.
Ele se declara um entusiasta da inteligência artificial e seu usuário diariamente, todavia reconhece que a mesma poderá determinar a concentração de riquezas nas mãos dos mais poderosos e, ao mesmo tempo, gerar desempregos e crise social grave. Segundo o Fundo Monetário Internacional a IA poderá atingir de 40 a 60% dos empregos existentes, ficando os postos de produção em poder dos que dominam a tecnologia, agravando a desigualdade social.
Depois de analisar o risco da IA sobre o social, o Professor Fábio Souza sugere que “fazer com que quem lucra com a nova economia contribua para proteção de quem fica para trás. As plataformas digitais que faturam bilhões sobre o trabalho de milhões sem qualquer vínculo formal não podem continuar alheias ao custeio da seguridade social”.
Concluindo o seu artigo, ele questiona: “O momento exige coragem para fazer a pergunta certa: como construímos, neste novo mundo, um sistema de proteção social capaz de garantir dignidade a todos? Essa é a discussão que o Brasil precisa ter e que não pode esperar mais”.
A mesma preocupação mostrou o Papa Leão XIV na sua primeira encíclica, assinada no dia 15 de maio, e publicada no dia 25 do mesmo mês, denominada “Magnifica humanitas”. A assinatura no dia 15 de maio se revestiu de importantíssimo significado, comemorando 135 anos da “Rerum novarum”, encíclica assinada em 1891 pelo Papa Leão XIII, grande encíclica social da Igreja Católica, e, até hoje, atual.
A encíclica “Magnífica humanitas” é um documento de cunho social que aborda um dos principais desafios do mundo atual, a inteligência artificial (IA).
A última encíclica está constituída por cinco capítulos. No primeiro capítulo é analisada a Sabedoria da Palavra e o diálogo com as ciências humanas, a Doutrina Social da Igreja Católica, os anos do Concílio Vaticano II e o Magistério recente da Igreja.
O capítulo segundo trata dos Fundamentos e Princípios da Doutrina Social da Igreja: o ser humano como imagem de Deus, a dignidade de todo ser humano, a importância dos direitos humanos, o bem comum, a destinação universal dos bens, solidariedade, justiça social e desenvolvimento integral.
No capítulo terceiro encontramos: A grandeza da pessoa humana perante as promessas da IA. A ajuda preciosa que exige atenção, responsabilidade, transparência e gestão da IA. Os limites, o coração, a grandeza do ser humano. Defende que a IA deverá servir à humanidade, jamais escravizar o homem.
No quarto capítulo, podemos ver: Salvaguardar o humano na transformação. Verdade, trabalho e liberdade. Neste capítulo são analisados: a verdade e a democracia, ecologia da comunicação, uma aliança educativa para a era digital, centralidade da escola, o valor do trabalho, o problema do desemprego, uma economia que valorize a dignidade, a família e os jovens, dependência e controle social e quebrar as correntes das novas formas de escravidão.
No quinto capítulo aparecem: A cultura do poder e a civilização do amor. São analisados temas como o uso da IA nas guerras, as vítimas das guerras, defesa do diálogo, a necessidade da diplomacia e do multilateralismo, bem como a necessidade da oração e da esperança.
Considero-me um ignorante em Inteligência Artificial, todavia acredito que jamais a máquina superará o ser humano, uma vez que ela será sempre criada e dirigida pela inteligência cerebral, grande criação divina.
Júlio Carvalho.
