Município de Bom Jardim se destaca pela produção de café na região
Bom Jardim é um importante produtor na Região Serrana do Rio de Janeiro. A cidade possui forte vocação agrícola e é reconhecida pela produção de cafés de qualidade. A cafeicultura local combina tradição e novas práticas sustentáveis, movimentando a economia e o turismo rural da região.
“O café é uma das coisas que tá na identidade e dá orgulho para Bom Jardim. Nosso café atravessa gerações, movimenta a economia, fortalece o produtor rural e leva o nome da cidade para muito além da serra. Com clima privilegiado, terra fértil e o cuidado de quem planta e colhe, Bom Jardim segue sendo referência na produção de café especial no Rio de Janeiro, uma tradição que a gente sente em cada xícara”, garante o atual prefeito Affonso Monnerat.
O município de Bom Jardim volta a ganhar evidência no cenário agrícola fluminense. O café produzido na cidade esteve entre os finalistas do I Prêmio Excelência – Cafés do Rio, realizado no final do ano passado, iniciativa que buscou valorizar a cafeicultura estadual e reconhecer os produtores que vêm investindo em qualidade, sustentabilidade e inovação.
Representando Bom Jardim, o produtor Everardo Tardin Erthal concorreu na categoria Café via Úmida, método que envolve maior controle no processo de secagem e costuma realçar doçura, acidez equilibrada e notas complexas no grão — características valorizadas no mercado de cafés especiais.
Para Bom Jardim, a indicação representou mais do que um prêmio: é um símbolo de reconhecimento do trabalho rural local, muitas vezes silencioso, mas fundamental para a economia do município.
Embora pouco lembrado pelo grande público, Bom Jardim possui uma longa história com a cafeicultura e chegou a ser um dos maiores produtores do Brasil por volta do ano 1890.
Naquela época, existiam muitos produtores no município, emancipado de Cantagalo em 1892. Porém, desde o início dos plantios do café, duas famílias tiveram maior destaque: a Corrêa da Rocha, que em 1818 adquire a Fazenda Nossa Senhora da Soledade e rapidamente prospera no cultivo de café; e a Erthal com a chegada de João Erthal (Johann Muller Erthal) que emigrou para o Brasil em 1826.
A região de montanha sempre favoreceu o cultivo, mas durante décadas o café fluminense sofreu com baixa valorização nacional. Esse cenário começou a mudar nos últimos anos, impulsionado por cooperativas, ações da Emater-Rio e cursos técnicos que incentivam boas práticas agrícolas, colheita seletiva e microbeneficiamento.
Produtores como Tardin fazem parte de uma nova geração que busca qualidade acima de quantidade, apostando em processos pós-colheita mais precisos e na colheita de grãos maduros, o que eleva o potencial sensorial e coloca os cafés serranos em outro patamar.